Consultor Imobiliário

Quem és tu?

Ora bem, e partindo das duas crónicas que já escrevi, infelizmente, o consultor imobiliário não é bem encarado, espontânea e genuinamente por compradores, vendedores, construtores, por diferentes razões. Vejamos: a agitação do mercado imobiliário é por demais conhecida, a tal “bolha imobiliária” anda no ar e, por conseguinte, todos querem fazer o melhor negócio. Quem compra não quer o “chato” do intermediário no meio, procura logo conhecer a fonte e tratar diretamente com quem constrói, poupando comissões. O construtor não quer pagar a dita comissão ao consultor imobiliário, quer retirar o máximo proveito possível do estado do mercado. Aliás, muitos têm uma postura ambígua, recebem o consultor com ar indulgente, não hesitando em baixar a comissão, frisando muito bem que o serviço do consultor é, atualmente, desnecessário, pelo que, se quiser fazer algum negócio, terá, forçosamente, de resignar-se e baixar consideravelmente a tal comissão. Além disso, o consultor e as imobiliárias têm o ónus de culpa pelo aumento dos preços (muito acentuado no último ano) do arrendamento ou venda de imóveis. Não me parece justo, até porque quem estabelece o preço é o proprietário. É evidente que as imobiliárias e os consultores querem ganhar dinheiro, comissões altas, mas não são eles os responsáveis pela determinação e fixação dos preços. Os proprietários, construtores, estabelecem o preço, negoceiam as comissões, cada vez mais baixas ou até inexistentes, caso não recorram às imobiliárias, de acordo com a sua perspetiva do mercado, mas sobretudo em face da economia, das vicissitudes financeiras de quem quer comprar casa. Tudo isto é totalmente legítimo, evidentemente, mas esquecemo-nos rapidamente da tragédia imobiliária que foi, inclusivamente, mote da crise financeira que nos atingiu bem recentemente. Mais ainda, o papel das imobiliárias é descurado, reduzido ao simples ato de compra e venda. Todavia, quando se trata de organizar, tratar do processo, desde licenças, cadernetas, avaliações energéticas e demais documentação, raramente conseguem ter tudo, convenientemente, pronto e bem feito. Quantas escrituras não se realizam por este motivo? Quantos negócios não se realizam? Quanto dinheiro é posteriormente gasto em advogados e solicitadores?

Ora, o papel das imobiliárias e dos consultores deve ir muito além da venda e do arrendamento. Aconselhar, seguir, ajudar e preparar o processo, de forma eficaz e efetiva, culminando na celebração de contrato, de modo a satisfazer, principalmente, aqueles que nos procuram. O nosso papel não é nem pode ser o de simples intermediário, mas ativo, sugerindo, aconselhando, protegendo o nosso cliente. Mais do que ir na onda, é nossa função surfar na onda sem aumentar a sua dimensão, garantindo a sobrevivência, equilíbrio e sustentação do ramo imobiliário, a médio e longo prazo.

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